Desolation Row

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Projeto Novo

Acabo de criar um novo blog, Zapping, que diferente desse espaço, que é dedicado a qualquer assunto do meu interesse, será exclusivamente dedicado aquele que é ainda o meio de comunicação mais popular da humanidade: a televisão. O novo blog terá uma visão opinativa da televisão, sendo abordada tanto a Tv a cabo quanto a aberta.

O endereço é:tevezap.blogspot.com

Não deixem de visitar.

Gabriel Caio Corrêa Borges

sábado, 17 de outubro de 2009

Old Wave






É difícil encontrar algo mais chato do que revival dos anos 80, quem deu uma olhada no Almanaque dos anos 80 sabe do que eu estou falando. Diferente dos saudosistas dos anos 60 e 70 que ficam mais “na nossa época” (que, mesmo assim, não deixa de ser um porre), o saudosista dos anos 80 fica naquela de “nos anos 80” (frase repedida constantemente no referido almanaque) que apesar de parecer medíocre, carrega uma dose pesada de romantismo que é incapaz de discernir as coisas boas das coisas ruins. É só conferir, o saudosista dos anos 80 gosta de lembra de tudo da referida década, do “Xou da Xuxa” até o boneco do Fofão, passando pelos Smurfs.

Porém, das varias coisas que ficaram enterradas no fundo do baú das saudades dos anos 80, desenterro um gênero musical hoje presente apenas nas rádios “adultas” das Fms, falo da New Wave. Ou seria melhor Old Wave, pois é difícil encontrar um gênero musical mais datado do que o empreendido por aqueles músicos.

O senso comum tende a ver a New Wave como um estilo musical de qualidade duvidosa cuja principal característica é o uso excessivo de sintetizadores e em que a grande maioria das bandas só tem um hit. Porém não é muito conhecido o fato de que a New Wave nasceu como uma irmã mais nova (e inocente) do Punk cujo surgimento também foi no lendário bar CBGB. No inicio não havia, ou era raro, qualquer sinal do bem e velho (ou ruim e velho para alguns) sintetizador que marcou os anos 80. Sem contar que seus primeiros artistas deste gênero são tidos hoje como clássicos do Rock (no inicio, a New Wave ainda era ligada musicalmente ao Rock) como “Blondie” e “Talking Heads”. Os sintetizadores que viraram meio que a principal característica a do gênero passaram a ser utilizados com mais freqüência por grupos como o Devo.

Grande parte dos grupos de New Wave ficaram marcados como “one hit wonders”, ou seja, bandas que só conseguiram emplacar uma musica nas paradas de sucessos e são conhecidos apenas por essa música. Pode-se dizer que na maioria desses casos a música chega a ser maior que o próprio artista. Podem-se citar vários exemplos desse tipo de ocorrência: Os grupos “Frankie Goes To Hollywood” com o hit “Relax” (que chegou até a estampar camisetas), os “Modern English” com “I Melt With You”, o “Flock Of Segulls” com “I Ran (So Far Away)” e o músico “Thomas Dolby” com “She Blinded Me With Science”. Alguns grupos internacionais ficaram com essa alcunha por ter emplacado um único hit apenas na parada norte-americana, sendo que possuem vários sucessos em outros paises ou em sua terra natal, caso da banda britânica “Dexy’s Midnight Runners” famosos no mundo todo pela música “Come on Eillen”, mas na Europa já emplacaram outras músicas alem dessa.

A Mtv tem suas origens ligadas a New Wave, é só lembrar que o primeiro videoclipe veiculado pelo canal foi do grupo New Wave “The Buggles”, com uma música de nome sugestivo: “Vídeo Killed The Radio Star”. Muitos artistas New Wave lançaram verdadeiros clássicos da Mtv, podem-se destacar o Talking Heads que armou um interessante jogo de luz e sombra em “Burning Down The House” e fez seu vocalista dançar como um louco – muitas vezes simulando epilepsia – em “Once In A Life Time” e o “Devo” que criou um louco cenário do Velho Oeste em “Whip It”.

Um estigma ligado a New Wave é que se trata de música de má qualidade ou datadas. Provam o contrario artistas como os precursores da New Wave “Blondie” e “Talking Heads”, este fez Historia na música Pop por fazer vanguarda ao misturar músicas tradicionais tidas como exóticas com Rock, o electro-pop do Eurythmics, os hits do austríaco Falco e músicas marcantes como “Betty Davis Eyes” de Kim Carnes e “Its My Life” do “Talk Talk”.

A New Wave assim, como todos os modismos dos anos 80, foi deixada de lado, tendo ressurgido de forma irrelevante por grupos musicais saudosistas, ela hoje está tão datada como os modismos referidos, sendo mais apropriado o uso do termo “Old Wave” para defini-la corretamente nos dias atuais. Mas o responsável por esse blog achou que, diferente dos outros modismos oitentistas, ela tinha méritos e injustiças que mereciam um post.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A Reforma Eleitoral e a Internet: Fala Sério!

O Senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG) deveria passar mais tempo na internet, estudar como ela funciona para ver que ela é totalmente diferente da imprensa tradicional que conhecemos. Assim não tentaria cometer coisas como o artigo 45 da proposta para reforma eleitoral. O artigo prevê que a internet devera ser submetida às mesmas restrições presentes na TV e no radio durante o período de eleições. Serão proibidos os artigos que opinem sobre os candidatos e os partidos. Charges não serão permitidas. Entrevistas têm de ser com todos os candidatos.

Porém, se sites e blogs ficarão limitados a pura apatia política, os políticos que pretendem se candidatar poderão fazer uso da internet ora como meios de marketing político ora como forma de arrecadação.

Ao contrario do que o senhor Eduardo Azeredo aparenta pensar, a internet, diferente da maioria dos meios tradicionais como o radio e a TV, não é coordenada somente por grupos de comunicação bem articulados. É formada acima de tudo pelos usuários que não são meros espectadores como nos meios tradicionais e sim os seus maiores colaboradores. Permite, dentre outras coisas, por meio de blogs ou paginas pessoais, se tornarem formadores de opinião capazes de rivalizar com a própria mídia tradicional.

Por exemplo, quem vai visitar o blog Vi o Mundo vai encontrar matérias muitas vezes em prol da esquerda tradicional e contra os partidos de direita. Tem como seu contraponto o blog do Reinaldo Azevedo, hospedado no site da revista Veja, que traça uma visão negativa da esquerda tradicional e vê a direita com bons olhos. Longe do mundo dos jornalistas já conhecidos, ganham fama blogs anônimos como o Cloaca News e o Coturno Noturno (exemplo também utilizado pelo jornal Valor). O Cloaca alia-se ao governo Lula e tem uma visão negativa da oposição, principalmente do governador paulista José Serra. O Coturno, de autoria de uma pessoa que se autodenomina Coronel, traça uma visão negativa de Lula e de sua pretendente a candidatura para presidente Dilma Rousseff.

Agora, eu me pergunto, se os pretendentes a candidatos podem realizar seu marketing político na internet, mas os usuários não poderão opinar sobre esses candidatos, como ficam blogs como o Dilma13 que mesmo sendo de apoio a uma pretendente a candidata a presidente da republica, não tem qualquer ligação com a própria Dilma? E se o jornalismo deve conter ser igualitário entre os candidatos como ficam os sites jornalísticos ligados a partidos políticos?

E no mínimo patético, enquanto lá fora sites como o Huffington Post e o Politico.com tem ganhado respeito perante o publico justamente por serem opinativos, aqui temos que conviver com projetos políticos cujo retrocesso é digno do governo militar, nos mantendo em algum lugar do sé digno do governo militar, nos mantendo em algum lugar do século XX e nos impedindo de conhecer a democracia do Século XXI

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Michael Jackson, CIA e o espetáculo

Michael Jackson morreu deixando órfãos milhões de fãs e algumas dezenas de jornais de fofocas. Se é virtualmente impossível que o disco “Dark Side Of The Moon” do Pink Floyd deixe de ser tocado no planeta em qualquer instante eu não sei, mas é quase-certo que no momento em que escrevo esse texto alguém ou deve estar com o “Thriller” no radio do carro, ou deve estar arriscando um “moonwalk” na frente dos amigos. Certamente seus álbuns clássicos devem estar estourando nas prateleiras e um executivo ganancioso deve estar planejando lançar o álbum póstumo de Jackson antes que a saudade esfrie.

É lógico que alguns assuntos vêm com a morte. Não deixaram de fazer piadinhas infames que desrespeitassem um tema tão delicado. A mídia (sempre ela) não deixou de falar sobre a morte do astro, mesmo com temas mais importantes ocorrendo como o golpe de estado em Honduras. E o que dizer do funeral/espetáculo do astro (que eu não vi). Mas era esperado que cedo ou tarde fosse aparecer alguma teoria sobre a morte do astro. Surpreendentemente (mas nem tanto) os primeiros sinais de teoria conspiratória sobre o que aconteceu com Michael Jackson vieram da boca da irmã dele, Latoya Jackson, que disse que ele teria sido assassinado. Como se isso não bastasse, tem o Fantástico exibindo o vídeo do vulto que apareceu em Neverland.

Eu confesso que eu não ficarei surpreso se algum maluco publicar em sua pagina pessoal na internet que Michael Jackson foi morto pela CIA. Brincando de vidente arrisco dizer que esse maluco vai dizer que a CIA armou a morte de MJ para que ninguém repará-se no golpe de estado em Honduras. Se não a CIA, ele foi seqüestrado por Extraterrestres, como foi o Elvis. Ou, novamente ecoando o Rei do Rock, fingiu-se de morto para poder livrar-se dos fãs e da mídia.

Se o maluco vai falar que foi a CIA, problema dele. Já falaram isso sobre as mortes de Jim Morrison, Janis Joplin, Jimi Hendrix e até de John Lennon. O que eu sei é que estes caras e Jackson foram brilhantes em seus tempos áureos. Michael Jackson não inventou a música Pop como afirmam algumas revistas semanais, pois antes dele (levando em conta sua faze adulta, que é quando ele realmente passa a se destacar como criador) já existia o piano adocicado de Elton John, as produções de um certo Phill Spector e alguns outros artistas já faziam uma música que poderia ser qualificada simplesmente como Pop, sem ser rotulada como Rock, Soul ou outros títulos. O que Jackson fez foi reinventá-lo ao ponto de ser confundido com o próprio titulo como James Brown fez com o Soul e Elvis Presley fez com o Rock. Assim como estes, ele adicionou os elementos que faltavam, ou seja, gingado, um caldeirão multi-etnico e, principalmente, um grande espetáculo visual. Com Jackson o vídeo clipe e os Shows hiper-produzidos passaram a ser tão ou mais importante que a música em si, essa é sua grande herança, é só ver artistas atuais cujo talento musical é descartável, mas os Shows e os clipes sempre têm um apelo que chama a atenção do público.

Porém, apesar das mais de 100 milhões de cópias vendidas do disco “Thriller”, Michael Jackson não foi o artista mais influente dos últimos tempos. Esse mérito cabe melhor ao seu mestre, o também falecido James Brown, que influenciou diretamente toda a música negra de seu tempo e indiretamente todo o pop por intermédio do discípulo Michael Jackson.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Critica (!) literária

A partir desse post começo a escrever minhas opiniões sobre alguns livros que li. Não espere opiniões de um especialista, muito pelo contrario, apenas opiniões de um sujeito qualquer.


“A Volta do Idiota” de Álvaro Vargas Llosa, Carlos Alberto Montaner e Plinio Mendoza.



Como primeiro livro a ser analisado por esse sujeito qualquer, escolhi “A Volta do Idiota”. Vamos ao resumo do livro: Continuação do livro “O Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano” que ataca os “idiotas” – no entender dos autores, esquerdistas radicais e admiradores de Caudillos e ditadores – e advoga em defesa de uma ordem (Neo)liberal.

Comprei o livro por causa da interessante serie de documentários de Álvaro Vargas Llosa sobre a América Latina, dos quais só vi dois, mas serviram para atiçar meu interesse. Não nego que ,enquanto lia, acabei acreditando em muitas das coisas mais estapafúrdias que os três autores escreveram. Felizmente, já retornei ao mundo real para ver que as idéias do livro passam longe de serem consideradas sérias.

Vamos começar pelo “idiota” do titulo, é correto afirmar que muitos esquerdistas estão longe de ter os dois pés fincados na realidade (um exemplo é a afirmação de que nos EUA só existe “um” partido divido em dois setores, Republicano e Democrata, e depois aplaudir o uni partidarismo cubano). Mas os autores exageram e colocam muitos dogmas próprios da esquerda, como maior ação do estado, como coisas típicas de “idiotas” e põe como “inteligentes” os esquerdistas que professam os dogmas do livre mercado. A devoção a este segundo os autores, não é uma ideologia, mas uma “realidade” dos novos tempos dos quais todos os setores políticos devem se acostumar. Não a nada mais ideológico do que negar este caráter para o liberalismo e crer que todos os setores políticos devam professar o liberalismo como única opção é, no mínimo, ridículo.

Ainda sobre o “idiota” do titulo, os autores conseguem a proeza de inventar o paradoxo do “intelectual idiota”, ou seja, as obras intelectuais dessas figuras são importantíssimas, mas suas opiniões políticas são carentes de lógica e argumentos (o que, diga-se de passagem, muitas vezes não deixa de ser verdade). Eles não se limitam a AL, sendo encontrados no mundo todo. São eles: Noam Chomsky, James Petras, Ignácio Ramonet, Harold Pinter e Afonso Sastre, José Saramago é citado em apenas uma linha. Não há menções a Gabriel Garcia Márquez que professa todos os ensinamentos ideológicos que os autores desprezam.

A maior parte dos capítulos é dedicada aos governantes e aspirantes a governantes de esquerda da AL. Obviamente há muitas alfinetadas em Fidel Castro, Hugo Chavez, Nestor Kichner, Evo Morales e uma pequena alfinetada, em um na época recém chegado, Rafael Corrêa. Os aspirantes a governantes, ou seja, os que ainda não alcançaram os governos de suas nações são o Mexicano André Manoel Lopez Obrador e o peruano Ollanta Humala. Também fala de “recuperados” como Alan Garcia e Daniel Ortega (!...?). E claro os “esquerdistas vegetarianos”, que professam o livre-mercado ou algo próximo dele como Lula, o uruguaio Tabaré Vazquez e a chilena Michelle Bachelet (Hugo Chavez e Evo Morales são chamados de “esquerda jurássica”).

Reparando nesses capítulos encontram-se muitas coisas carentes de comprovação como, por exemplo, uma suposta conversa entre Hugo Chavez e Fidel Castro cujo propósito seria planejar a substituição da via revolucionaria para o socialismo por uma via sufragista, ou seja, o socialismo seria alcançado por via do voto. E fica a pergunta, como os autores deste livro tiveram acesso a uma conversa tão particular?

Outro defeito visível é o desconhecimento de que capitulo cada autor ficou responsável, o resultado muitas vezes é confuso e contraditório. Por exemplo: em um capitulo Lula e Tabaré Vazquez são tidos como bons exemplos de governantes de esquerda bem alinhados como o livre-mercado, mas em outro capitulo o autor põe os mesmos Lula e Tabaré como inimigos do livre-mercado. Obviamente os dois capítulos foram escritos por autores diferentes, mas o leitor não tem como saber quais eram.

O livro não se limita a AL, dedicando um pedaço de sua batalha contra os “idiotas” a Europa. Ataca-se o esquerdismo francês e seu partido socialista e também o “Buenismo” espanhol propagado pelo presidente José Luiz Rodríguez Zapatero, afirmando que ele deveria seguir os passos de seu antecessor José Maria Aznar. Elogia-se a terceira via do Trabalhismo inglês e da Social-Democracia Alemã.

Depois de rasgar criticas contra a esquerda latino-americana seus representantes e expoentes*, o livro preocupa-se em passar os exemplos que a AL deveria seguir como a Espanha de Aznar, Cingapura, o Leste Asiático, a Irlanda e a Estônia. Nem sinal da Islândia, talvez já deviam ter previsto a crise que se assolaria naquelas terras gélidas por causa do modelo que eles vêem como ideal, pena que esqueceram de prever a crise na Irlanda.

O livro nem sempre parte para a pura panfletagem (Neo)liberal com material difícil de ser levado a serio. O caso do capitulo dedicado ao Peru é um exemplo. Nele as afirmativas são convincentes e não totalmente desprovidas de fatos, como as causas da inclinação de Alan Garcia ao Liberalismo e o apoio que a esquerda deu a um general da ditadura militar peruana.

Destaca-se também a pequena sugestão de leituras indicadas pelos autores, não como “os dez livros para acabar com a idiotice” como pretendido por esses, mas sim como uma curiosidade sobre o Liberalismo moderno e, claro, como bons indícios de literatura como atesta o livro “O Zero e o Infinito” de Arthur Koestler.

Apesar dos bons momentos, os autores parecem advogar pelo pensamento único, negando o caráter ideológico do Liberalismo e fazendo crer que quem é contra ele deve ser taxado de “idiota”. Poderiam ter dedicado esse titulo aos exageros retóricos que infecta a muitos membros da esquerda como a apologia ao regime Castrista (e negação do caráter ditatorial deste) e o Anti-Americanismo que, muitas vezes, beira a tolice. Ao invés disso, optaram por fazer um panfleto que se assemelha aos de esquerda por considerar para a AL um único caminho possível, do tipo “nós estamos certos e eles errados”.


Nota:4,5


*Os expoentes da esquerda que me refiro são personalidades e movimentos sociais como Frei Beto, Maradona e o MST, atacados pelo livro. Surpreende que, dentre esses ataques, não sobra nem para as Mães da Praça de Maio, de grande importancia para a redemocratização da Argentina.

domingo, 24 de maio de 2009

Sobre heróis e vilões

Há pouco tempo atrás, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, proferiu um polêmico discurso na conferencia da ONU que pretendia tratar do racismo, cujo conteúdo, carregado de teor religioso, atacou Israel, os EUA, o poder de veto dado aos membros do conselho de segurança da ONU e o mercado. Alem do fato de que importantes países ocidentais, mais Israel, boicotaram a conferencia com a desculpa de que ela se transformaria em um palanque anti-semita, um grupo de representantes, todos vindos de países europeus, decidiu retirar-se durante o discurso como forma de protesto. Mas Ahmadinejad obteve a proeza de arrancar aplausos não apenas de povos do Oriente-Médio que não gostam da presença ocidental em seu território e se identificam culturalmente, em alguns aspectos, com o Irã. Obteve palmas de um tipo bem conhecido nessa região do Sul da linha do Equador, o militante de esquerda que sonha com o socialismo, sente certo ranço pelo império do norte e, finalmente, idolatra, de forma não critica, Fidel e Che Guevara.

Um bom exemplo pode ser conferido no mundo do ciberespaço. Em Blogs como o Vi o Mundo - que traduziu o discurso de Ahmadinejad – e em sites como o Observatório da Imprensa, nas alas dedicadas aos comentários pipocaram manifestações favoráveis ao discurso de Ahmadinejad. Coisas do tipo “o Irã mostra a sua superioridade moral sobre o Ocidente” ou “o Irã, em seus séculos de existência, nunca invadiu uma nação, enquanto os EUA já invadiram praticamente todo o mundo”.

Não demorou para vir o balde de água fria. Pouco tempo depois do discurso polêmico, viu-se a noticia de que o regime iraniano executou uma jovem pintora acusada de matar a prima. O problema é que as evidencias do crime demonstravam que só poderia ter sido cometido por um destro, e a jovem era canhota. Não importou, cometeu-se o chamado “homicídio legal” quando o próprio estado mata uma pessoa. Sobre isso, os mesmos que manifestaram a “superioridade moral” do Irã ficaram calados. Pior, alguns continuaram manifestando a tal superioridade como se o dito “homicídio legal” nunca tivesse ocorrido. Era uma “invenção da mídia” alguns diziam.

O grande lance é que, com aquele discurso, Ahmadinejad encarnou a versão moderna do individuo que, com suas idéias iluminadas, derrubaria o império opressor dos povos e seus cúmplices. Ou seja, a versão moderna daquilo que a esquerda latino-americana com pouco senso critico chama de herói. Como diria o jornalista Laster Bangs: “eles não seriam heróis se não fossem infalíveis, na verdade não seriam heróis se não fossem uns cães sarnentos miseráveis, os parias da terra, e mais, a única razão para se construir um ídolo é jogá-lo por terra novamente”. E como eles caiam por terra.

Vamos começar pela esquerda, Fidel e, claro, Che. Os dois protagonistas da revolução cubana que derrubaram um governo ditatorial corrupto e instalaram o primeiro regime socialista do hemisfério ocidental a poucos quilômetros do maior império capitalista do mundo. Uma pessoa ligada a esquerda mais radical tendera a falar que Fidel criou os melhores sistemas de educação e saúde da América Latina (o último quesito é discutível), que o IDH de Cuba é o mais alto deste lado do continente e, finalmente, que Cuba foi o único pais com peito de encarar os EUA e sobreviver. Alguns mais exaltados dirão ainda que Cuba é a “verdadeira democracia”. Porém não é nenhum mito que Fidel, no auge de seu governo, perseguiu desafetos políticos. Aderiu a uma política de moldes stalinistas que perseguia não apenas os desvios políticos como também os morais. Recorreu a políticas econômicas falhas como a da produção de cana nos anos 60. Manteve durante o seu governo apenas um partido político fantoche. E, claro, mandou um bocado de gente para o famigerado “Paredon”.

O fotogênico Che Guevara (foto a esquerda), cujo rosto até hoje ilustra camisetas no melhor molde do consumismo, pregava que a situação da América Latina só seria melhorada por via da luta armada. Também não era nenhum humanista, tinha uma intimidade com arma como poucos têm e não tinha receio em matar a sangue frio. Lógico, que se algum dia você falar que Che era um assassino para um de seus admiradores, ele vai simplesmente te chamar de reacionário e que ingere lixo da grande mídia. É um romântico, no mal sentido.

A direita também tem heróis. O que dizer de Duque de Caxias (foto a direita), patrono das nossas forças armadas, que derrotou os exércitos de Solano Lopes na Guerra do Paraguai. Para muitos brasileiros o herói maior de nossa nação, para o resto, o sujeito que detonou praticamente com 2/3 da população paraguaia e praticamente deixou o país de Solano Lopes com uma população masculina quase inexistente.

Para a turma ligada ao lado direito da força, as “revoluções” militares que tomaram o poder para salvar a pátria dos “caudilhos” e “comunistas” tem um significado praticamente heróico. Ainda hoje, não resta duvida de que ainda existe gente - principalmente civis - que acha que os governos militares foram necessários. Poderiam alias fazer camisetas com o rosto do Pinochet estampado para se contrapor as camisetas do Che Guevara.
Não podemos nos esquecer de quem elegemos pra ocupar o lugar de vilões. Vou começar pelo maior deles, os EUA. A raiva que certos setores da nossa sociedade, em sua maioria de esquerda, sentem pelo governo e o empresariado norte-americano é tamanha, que não apenas se dão ao luxo de criticar a política externa dos EUA – que não raro é de fato agressiva – como também o ambiente interno norte-americano. Não é difícil encontrar em blogs comentários tratando os EUA como se fossem uma ditadura liderada pelas grandes empresas e que o presidente não passa de um “relações publicas” (e o presidente do Irã é o que ?). Como os vilões fazem os heróis, Fidel e Che têm um grande debito com o imperialismo norte-americano.

Como para essa turma os EUA não têm aspectos positivos, eles fazem questão de lembrar que a constituição norte-americana, a primeira com as características do Estado moderno, não aboliu a escravidão. Também é importante lembrar que os EUA destruíram a nossa cultura exportando a deles para o nosso território, mesmo que tenha muita coisa boa que não mereça ser chamada de lixo cultural.

Como o mundo da política divide-se em direita e esquerda. O inimigo principal será sempre o outro lado. Para a esquerda a direita é astuta e maliciosa e que está disposta a tudo para manter o status quo. Para a direita a esquerda são um bando de insanos que estariam dispostos a entregar suas terras ao MST e separar suas casas ao meio. Qualquer sinal do outro lado será sempre visto como algo execrável.

Nosso continente sempre foi pródigo em criar heróis e vilões. Os primeiros tidos como donos de grandes virtudes capazes de mover montanhas. Os segundos seres destrutivos e monstruosos que estariam dispostos a tudo para alcançar seus objetivos. Porém sempre nos esquecemos que os únicos que fazem jus a essas palavras ou são de alguma mitologia, ou são personagens de historias em quadrinhos.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Deu TILT!

É gente, o Desolation Row anda parado nos últimos tempos. Um tanto pela falta de tempo, um tanto pela falta de assunto.

Por ser um blog democrático (apesar da figura autoritária ai do lado), os (poucos) leitores deste blog podem sugerir um tema que venha a ser comentado.

Mas não se preocupem, não está nos planos o fechamento. Mesmo com essa crise.


Assinado pelo Editor-Chefe: Gabriel Caio Corrêa Borges

Quem sou eu

Gabriel Caio Corrêa Borges
Visualizar meu perfil completo